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quinta-feira, junho 24, 2010

Capítulo IV – Liberdade é uma calça velha, azul e desbotada...

Esta é a minha contribuição para o Desafio Literário do blog "Um Ponto e Outra Palavra" do Sandi Bart. Gostou? Então acompanhe a saga!

De repente, vi-me a repetir conhecidos gestos. Dobrar roupas, juntar livros e objetos, despir a casa dos sinais de minha presença. Fechei a mala com o estômago a dar cambalhotas de ansiedade, pois cortava o cordão umbilical e seguia ao encontro da liberdade que meu pai tanto celebrava. Pelo menos assim eu pensava, iludido pela sensação de imortalidade que só a adolescência consegue investir ao homem. Não olhei pra trás uma única vez, seguro que estava, mas era possível antever o olhar preocupado de minha mãe – que perdera o controle sobre um de seus trunfos – e o olhar orgulhoso daquele homem que me aceitara como filho e, agora, via-me seguir os seus passos.

São Paulo, de início, me intimidou – gigante cinza frenética que era, comparada à cidade em que eu crescera. Mas logo me dei conta de que, se minha inteligência e dedicação garantiriam-me o prestígio no mundo acadêmico, a gorda pensão paterna – aliada à malícia materna – me daria a chave da cidade. De cara, fui aceito em um círculo de alunos influentes, porém indolentes, e não se passou muito tempo até que eu os influenciasse mais do que eles à mim. Aprendi rápido o valor de um favor devido e, prestativo que era, nunca estive sozinho. Era convidado – por vezes, arrastado – para as festas perdulárias da elite, bem como para farras estudantis de toda espécie. Experimentei dos prazeres mais intensos da vida mas, endurecido pelo senso prático herdado de minha mãe, não me deixei perder. Pelo contrário. Arquitetava sempre novas maneiras de tirar o máximo proveito da situação, resguardado pela minha educação esmerada que impedia-me de ser visto como mau caráter.

Na faculdade, consegui manter-me – com certa facilidade – como primeiro da turma. De início o fazia por orgulho, depois, por necessidade. Eu não era nada feio, posto que herdei os traços angulosos de minha mãe. Poderia ter as mulheres que quisesse. E tive muitas. Mas não me interessavam tanto as moças libertinas da alta roda, fúteis e autoritárias. Tinha apreço mesmo era pelas garotas intelectuais e mais recatadas que me convidavam a participar de grupos de estudo. Amava a dificuldade em seduzí-las e a entrega com que elas finalmente cediam aos meus caprichos. Ademais, apreciava a facilidade em ignorá-las depois que me cansavam, pois estas eram as que mais temiam a má-fama. No segundo ano, principiei a dar aulas particulares para os calouros. E não foi pelo dinheiro. Perdi a conta de quantas inocências deflorei, não raras vezes em seus próprios quartos, com os pais a assitirem televisão despreocupados na sala de estar. Nunca enfrentei qualquer tipo de problema. Eu era jovem, livre e tinha um futuro promissor pela frente. Não poderia estar mais feliz.

Mas o destino, em uma sufocante tarde de abril, colocou à minha espera um voluptuoso par de olhos azuis. Uma caloura chamada Simone.

quarta-feira, março 31, 2010

Caçada



O caçador abriu a porta da cabana, apontando a espingarda para o vazio. O ar lá dentro estava pesado e ele sentiu seu estômago pulsar em um instintivo alerta de perigo iminente. A primeira saleta parecia vazia, mas nada estava no lugar. O chão estava coberto de potes e pratos quebrados. À sua esquerda, havia um armário despedaçado que parecia ser o epicentro da destruição. Pequenas marcas alongadas de sangue fresco no assoalho sugeriam que alguma coisa viva fora arrastada desde o móvel até a parede oposta. Uma peça de tapeçaria simplória, que estivera ali pendurada, amontoava-se displicente sobre um volume junto ao chão. O homem contornou a pequena mesa e ergueu a tapeçaria com a ponta da espingarda. O movimento suave liberou no ar um cheiro denso de vísceras e sangue, que penetrou fundo em suas narinas e encheu os seus pulmões. Fechou os olhos por um breve instante, tentando se controlar. Conseguiu, por fim, olhar e concluiu que aquilo era o que sobrara do frágil corpo de uma senhora idosa, despedaçado por uma força descomunal. Rezou para que a atrocidade tivesse parado ali. Mas havia algo úmido sendo rasgado no segundo cômodo. E aquele som familiar fez com que seu coração acelerasse ainda mais.

Deslocou-se em silêncio até a porta e se esgueirou pela abertura, bloqueada em parte por uma cesta de vime trançado, ainda cheia de comida. Fragmentos do que teria sido uma capa vermelha estavam espalhados pelo chão. Em cima da cama, um grande lobo castanho abocanhava pedaços do corpo nu de uma menina loura, e os mastigava com deleite. O caçador recuou, tentando recuperar o fôlego, mas não havia mais ar ali, apenas o odor pungente de sangue fresco. Um forte tremor desceu do crânio até a base da sua espinha, e ele teve que sufocar o rugido bárbaro que brotava em seu peito. O chão desapareceu sob seus pés e ele desabou, batendo de costas contra a parede. Sentia a pele arder como fogo, enquanto lutava para respirar.

O lobo ergueu o focinho sujo de sangue no ar, ganiu baixinho e começou a contorcer-se, como se estivesse lutando contra uma armadilha invisível. Grunhia a cada espasmo, enquanto seu corpo mudava. A pele clareou e os membros se alongaram, enquanto as articulações estalavam em ângulos impossíveis. A criatura ergueu-se sobre as patas traseiras e encarou o caçador. Tinha peito e ventre tingidos de vermelho brilhante, cabelos desgrenhados e sujos, mas agora não passava de um garoto de cerca de quinze anos, nu e assustado.

– Papai, eu não queria! – ele correu de encontro ao homem, soluçando, e enterrou a cabeça em seu ombro. – Mas eu estava com tanta fome... não consegui me controlar. Foi... tão rápido!

O  homem abraçou-o em silêncio.  Pensava na loucura incondicional que é o amor de um pai. Lembrou da primeira vez em que viu o menino. Ele era tão pequeno, tão dependente, um pequeno milagre que precisava de sua proteção e de seu carinho. O mundo ficou menor, porque passou a girar em torno dele. O garoto ainda soluçava, deixando o seu coração aos pedaços. Ambos tremiam muito, mas não por causa do frio. Era o cheiro da carne fresca. Dedos alongados puxaram o cano da espingarda de encontro à própria cabeça.

– Acaba com isso, pai. Eu não quero viver assim... por favor!

O caçador engoliu em seco. Sua cabeça latejava enquanto seus sentidos se expandiam. Em meio à torrente de pensamentos, viu-se consciente do toque frio do aço do gatilho sob seu indicador, da textura do tecido grosso da camisa sobre sua pele, do balanço suave do assoalho de madeira da cabana. O vento leste vinha das colinas e entrava pelas frestas da parede, trazendo o cheiro inconfundível do filho, misturado ao do orvalho sobre os pinheiros distantes. Trazia também mais um odor, que eriçou os seus pêlos e fez seus caninos trincarem: uma matilha de cães. Caçadores!

Os cães desceram a colina em uma corrida frenética, com os homens em seu encalço. Eram dez e todos levavam armas. Seguiam o rastro do lobo desde a cidade. O mais velho deles, ao avistar a cabana, teve um mau presságio e assoviou, chamando os cachorros de volta. Um tiro ressoou pelo vale, assustando os animais. O ar ficou paralisado em um silêncio denso e, por um instante, foi como se todos os corações parassem de bater, aguardando um sinal. Então, a urgência venceu o medo. Os homens engatilharam as armas e desceram, com os cães, a encosta lamacenta que levava ao casebre. Demoraram mais do que o esperado para vencer o pouco mais de um quilômetro de caminho, pois o solo mole fazia com que escorregassem e tropeçassem com freqüência. Ao atingirem a base do traiçoeiro declive, o cheiro da morte os alcançou, e vários homens amarraram seus lenços sobre nariz e boca, antes de prosseguir. Mantinham o dedo no gatilho e os olhos na porta. Um barulho na parte da frente da construção fez com que todos se abaixassem e firmassem a mira, preparando-se para enfrentar qualquer coisa que saísse dali.

Da escuridão, emergiu um caçador. Levava nos braços um enorme lobo cinzento sem vida, o maior que já haviam visto. O animal tinha a espessa pelagem coberta de manchas viscosas e a cabeça partida balançando disforme. Era muito pesado, mas ele não parecia importar-se. Carregava o seu fardo quase que com reverência. Apesar de ser alto, suas roupas eram largas demais e a espingarda pendia, desajeitada, em suas costas. Ele chorava. Seu rosto era dor, desespero e determinação. Soluçava, convulsivo, enquanto caminhava, atravessando a campina em direção ao bosque. Sequer se deu conta dos cães que latiam. Tampouco percebeu os dez homens atônitos, que apenas observaram enquanto ele desaparecia por entre as árvores. Em seu futuro nebuloso, um único propósito: viver, o melhor que pudesse, a vida que o seu pai lhe deu.

sexta-feira, setembro 25, 2009

Ilícito



Tem que ser hoje. – pensou Jaime – Não dá pra esperar mais! 


Suas mãos suadas apertaram ainda mais o volante, tentando conter o tremor que recomeçara. Hesitou por um instante, então arrancou a gravata com um único puxão. Limpou o suor da testa no punho da camisa e, nervoso, tornou a segurar o volante. Tinha que ser agora

Com um movimento brusco, o carro cruzou as três faixas da avenida em direção ao retorno, o que provocou um coro de buzinas em protesto. Jaime sequer percebeu. No estado em que se encontrava, ignorava por completo o caos que dominava a metrópole. Concentrar-se ficava cada vez mais difícil. A cada segundo, aumentava a consciência de que o que desejava estava ali mesmo, em um pequeno pacote oculto sob o banco do passageiro. 

Não posso! – ponderou, os dentes trincando de tensão. – Não com as ruas lotadas de gente e sensores para todo o lado. Quantos Vigilantes estariam misturados à multidão? 

Ele sabia muito bem o que acontecia quando alguém violava a Interdição. Presenciara a cena uma vez. Fora tudo muito rápido, mas ele nunca pôde esquecer os gritos. Não mesmo. Até os que nunca tiveram motivo para temer tinham pesadelos com isso. 

Enrijeceu-se no banco e obrigou-se a pensar em outra coisa, ou não conseguiria chegar até a estrada. Seus pensamentos flutuaram, desconexos, por alguns minutos e, por fim, pousaram nas lembranças da sua vida antes da Interdição. Ele não podia culpar-se por isso, sua geração era a que mais sofria. Tinha cerca de vinte anos quando tudo começou. 

Naquela época a cidade era mais suja e malcheirosa, mas as pessoas ainda tolevaram-se umas às outras. Conseguia-se comprar a droga em qualquer esquina e fazer uso dela na maioria dos lugares, sem qualquer tipo de sanção. Era um ritual pessoal. Mas o costume começou a perder a força e alguns lugares começaram a proibi-lo uso em respeito às pessoas limpas. Foi o bastante para que ele ganhasse novo fôlego. As proibições começaram a ser desrespeitadas, gerando constrangimento e preconceito. Então o governo resolveu interferir. 

Baseado numa antiga lei esquecida, o uso foi proibido em todos os lugares públicos fechados e a fiscalização endureceu. Em pouco tempo, as calçadas e ruas foram tomadas pelos usuários e por seu odor característico, formando uma verdadeira barreira humana para quem quisesse entrar ou sair de qualquer lugar. O preconceito intensificou-se, e suas manifestações ficaram cada vez mais violentas. A resposta do governo foi enérgica, proibindo qualquer uso público da substância. As ruas esvaziaram-se e a vida noturna da cidade quase desapareceu. Os Sujos trancavam-se em casa, sozinhos ou em pequenos grupos, e consumiam quantidades absurdas da droga. À essa altura, o preconceito se transformara em ódio mútuo, e os vizinhos Limpos começaram a reagir. 

Para evitar uma guerra civil, o governo baixou a Interdição, uma medida extrema e radical, proibindo totalmente o comércio da droga e banindo qualquer uso detectável por seus sensores em um raio de cem quilômetros em torno da cidade. A pena era a execução sumária e imediata. Muitos Limpos extremistas alistaram-se nas forças da Vigilância, e o que se sucedeu foi uma carnificina legalizada, que impôs a lei pelo medo. 

Passados quase dez anos, os Sujos que sobreviveram permaneciam escondidos. Poucos conseguiram de fato abandonar o vício, pois a droga era potente demais. Os Vigilantes, novamente misturados aos civis, só se revelavam quando ocorria uma violação. A sociedade vivia em tensão constante, pois não era mais possível saber quem era quem. As pessoas afastaram-se umas das outras, e assumiram um comportamento hostil. Mas a cidade estava limpa, uma utopia em verde e cinza. 

Jaime dirigia em alta velocidade pela estrada, os olhos fixos no horizonte. Até que seus olhos captaram ao longe o marco verde que procurava. Ao aproximar-se da grande placa na qual se lia “Limite da Interdição Municipal – Respire por sua própria conta e risco”, saiu para o acostamento, reduzindo a velocidade. Lançou o carro em uma pequena trilha de terra batida que conduzia a uma grande clareira na vegetação. Havia muitos carros estacionados ali. 

Encontrou um lugar entre eles e parou. Enfiou a mão ávida embaixo do banco do passageiro e apanhou o embrulho pardo em seu esconderijo. Desceu do carro aos tropeços e sentou-se sobre o capô. Dentro do pacote havia um maço de cigarros vagabundos, todo amassado, que comprara, por um preço absurdo, de um contrabandista. Segurou um deles entre os dedos e o cheirou, deliciando-se com o aroma. Bateu a mão livre nos bolsos, e percebeu, com horror, que não trouxera isqueiro ou fósforos. 

– Tome, use o meu! – um homem, sentado no capô de um carro próximo, atirou-lhe um isqueiro. O objeto descreveu uma curva perfeita no ar, e Jaime apanhou-o sem dificuldade. Ao fundo, pessoas conversavam animadas, e havia música alta vinda de um dos carros. 

Jaime acendeu o cigarro e jogou o isqueiro de volta, tentando lembrar se já tinha visto aquele homem na cidade. Não importa! – concluiu, soprando a fumaça de sua primeira tragada – Aqui, somos todos amigos!

sexta-feira, setembro 18, 2009

Coisas Simples

“Everytime the rain comes calling
I can't stop myself from falling
Into the darkness - into the madness”
Primal Fear – “Everytime it Rains”

Saltei por sobre a cerca branca baixa que delimitava o jardim dos fundos da casa com um movimento preciso, utilizando apenas uma das mãos como apoio. As poucas coisas que me trazem prazer são, de fato, muito simples.

Pousei de maneira suave, com os dois pés perfeitamente equilibrados sobre o imenso tapete verde que cobria toda a distância até a casa. A grama estava um pouco mais alta do que deveria, mas é assim que gosto dela. Fechei os olhos e respirei fundo, deixando aquele cheiro fresco delicioso invadir meus pensamentos. Todos os pêlos do meu corpo se arrepiaram ao sentir no vento frio que explodiu contra o meu peito o presságio de chuva. Meus lábios se abriram em um sorriso involuntário.

Caminhei pelo gramado até o anjo de pedra que se erguia solitário no centro do terreno. Haviam sombras escuras em seu rosto, que parecia triste hoje, misturado ao cinza chumbo do céu. Percorri com a mão esquerda as suas formas familiares, sentindo a textura da pedra antiga em meus dedos enquanto contemplava a imensa casa branca que se erguia à minha frente. Ela brilhava de um jeito estranho na luz agourenta que vazava por entre as nuvens zangadas, cada uma das muitas janelas era como um espelho perfeito do espetáculo da natureza que se formava. Todas as delicadas sensações condensaram-se em um fraco torpor de felicidade, que partiu do meu estômago e logo se alastrou para o restante do corpo. Meus pensamentos foram dominados pela ânsia violenta de intensificar e prolongar ao máximo esse sentimento, antes que ele pudesse desaparecer por completo.

A chuva fria começou a cair, intensa, desenhando pequenos riachos sobre a minha longa capa de chuva amarela. Mesmo oculto sob as sombras do capuz, meu rosto foi açoitado por milhares de gotas geladas que escorriam até a minha boca, e eu pude sentir na água o gosto amargo da condenação. Permaneci imóvel, paciente, esperando que a chuva pudesse levar embora todos os meus sentidos e me libertar da escravidão dos meus desejos. Mas a chuva passou, e nada aconteceu.

Com uma alegria inocente, quase infantil, me aproximei da entrada dos fundos da casa, que ficava sobre uma elegante plataforma de madeira avarandada. Subi com cuidado pela pequena escada de quatro degraus, evitando com uma agilidade inconsciente o terceiro deles, que rangia alto demais. Do lado esquerdo da porta, havia uma janela alta de vestíbulo, a única ali com uma tela de proteção. Corri a mão pela parte de baixo da tela, até alcançar a chave. Destranquei a porta e entrei, fechando-a com cuidado atrás de mim.

...

Felicidade extrema. Era o que eu sentia ao sair da casa. Tranquei novamente a porta dos fundos, recolocando a chave em seu esconderijo, e desci para o jardim. Fui recebido novamente pelo cheiro doce da grama alta molhada. Meus pés faziam um som agradável ao chapinhar pelo gramado encharcado. O vento gelado assobiava uma canção melancólica em meus ouvidos e, antes que eu pudesse chegar até a cerca, a chuva recomeçou. Como da primeira vez, deixei que ela me atingisse em cheio. Mas os pequenos riachos sobre o tecido amarelo impermeável da minha capa de chuva estavam agora tingidos de vermelho vivo. A chuva lavou todo o sangue, e então parou.

Saltei por sobre a cerca branca sem o menor sinal de cansaço. As poucas coisas que me trazem trazem prazer são, de fato, muito simples.

sábado, maio 02, 2009

Happy New Year!


"Silently we wander/into this void of consequence/my shade will always haunt her/but she will be my guiding light"
Kamelot – "Wander"

Eu sabia que não ia conseguir dormir tão cedo!
O dia foi praticamente idêntico: o mesmo céu azul com o mesmo vento gelado, a mesma ansiedade, o mesmo suor nervoso.

Eu é que mudei. Corri para tapar o buraco que eu mesmo abri em minha vida. Saí para descobrir do que eu sou feito, encontrar minha Pedra Filosofal.

É claro que eu ainda não encontrei, mas essa escolha tem feito toda a diferença.

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