terça-feira, abril 28, 2009

A Dançarina de Flamenco


"She dances while his father plays guitar

She’s suddenly beautiful"

Counting Crows – "Mr. Jones"


Flamenco. Sensualidade. Força. Desejo. Um dia eu ainda vou fazer uma cagada por uma dançarina de flamenco. A música é inexplicavelmente complexa e bela. O ritmo é febril, pois é o ritmo do próprio corpo. Olhares, alma. Eu ainda vou ter uma dançarina só pra mim! Cabelos e olhos negros, pele morena. Isso, como aquela.


Meu Deus! Vou pegar mais conhaque... Pronto!


Eu fico louco com o espírito fogoso dessa dança. Paixão rude. O salto de sua bota parece estar pisoteando minhas vísceras, ela olha pra mim, e eu não consigo mais tirar os olhos dela. Quem quer princesinhas inocentes??? Essa mulher é um caldeirão fervente! Ela não tem dono, faz o que quer.


Outra dose de conhaque.


Ela não pára mais de me olhar... e se aproxima. Vem dançar na minha frente. Brinca com seu corpo, suas curvas, usa suas armas. O ritmo acelera, o sapateado rasga angustiado minha cabeça. Cada vez mais perto. Posso agora sentir seu perfume selvagem, silvestre. Ela está suada e linda! Em um de seus volteios, ela pára a centímetros de minha boca. Eu perco o controle e a tomo em braços.


Súbito a música estanca.

O violonista larga o violão e puxa uma faca. Brilhante, fria.

Um grito.


Minha boca está amortecida, mas não é o conhaque.


Ainda vejo o cigano pegar a mulher pelo braço e ir embora.

Estranho... a mulher parece ter a pele e o cabelo claros agora.


Há pessoas em volta de mim. Seus rostos estão aflitos, mas o meu sono está vindo tranqüilo. Do meio dos rostos turvos, uma figura nítida me puxa pela mão. É a dançarina morena. Ela sorri para mim e me abraça... ela é fria como a morte.

quarta-feira, fevereiro 25, 2009

queria saber qual é a lógica estúpida que as pessoas usam pra fugir dos seus problemas quando eles têm uma solução.

é como aquela fita adesiva que prende no sapato: se você tentar tirar com o pé, vai acabar só passando de um para o outro, ou deixando um calombo pra atrapalhar seus passos. se você for ousado, pode tentar tirar com a mão, mas ainda assim, corre o risco da fita prender na sua mão também.

qual o jeito certo de se livrar da fita? não há resposta exata. mas se você não parar e resolver isso de uma vez, vai ficar só transferindo o problema de lugar pro outro.

domingo, janeiro 25, 2009

o tempo resolveu mostrar pra mim que ele é o senhor da situação.....
já destruí todos os relógios da casa
mas ainda ouço seus passos

tic, tac, tic, tac, tic, tac

o engraçado com ele, é que ele sempre consegue ficar contra você
você corre e ele te segura....
você quer tomar fôlego, ele te apressa

tic, tac, tic, tac, tic, tac

ele não vai descansar, eu sei
até eu desistir
até eu perder os sentidos
e cair definitivamente nos seus braços


sábado, janeiro 24, 2009

Pelo menos o nó que tinha no meu peito sumiu.... mas ficou um vazio rançoso, áspero.
É como se eu estivesse com a alma gripada...
As cores não tem o mesmo gosto.... nem os sentimentos
É a mesma sensação que se tem ao olhar fotos de infância



Algo se perdeu




quarta-feira, janeiro 21, 2009

quero saber como é que tira esse nó do peito....
esse gosto de sabão em pó da boca....
essas manchas da minha roupa.....

valia sumir devagarinho também.....
o máximo que ia acontecer, é ninguém sentir falta....

terça-feira, dezembro 23, 2008

Tem dias em que tudo que eu quero é pegar o destino pela gola, derrubá-lo no chão, e exigir que ele pare de uma vez por toda com essas gracinhas....

domingo, novembro 09, 2008

antes eu só vivia no papel... era lá que eu tinha coragem de ser uma outra pessoa, de construir uma outra realidade....

e eu vivi assim, enquanto eu conseguia expressar, escrevi...
e o mundo deu voltas e voltas, não sei se as palavras se foram, ou se eu deliberadamente as esqueci

mas quando a realidade me oprimiu de novo, comecei a pintar
.... sonhos, desejos, idéias....
até que fiquei desolado demais para sonhar

decidi então agir

viver, sentir, saborear
o vento no rosto, o desconhecido chegando
o potencial de realização contido em cada passo dado

agora chegou a hora de juntar tudo de novo...
de lembrar as palavras esquecidas
de pintar novos sonhos
de ser um novo eu


sábado, novembro 08, 2008

Hai Kai da Teimosia


O corvo de Allan Poe
Martela na minha cabeça:
Nervermore!
Nevermore!

E eu vou lá
E faço tudo de novo...

Leia mais...

Related Posts with Thumbnails